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Canção da Terra

Canção da Terra

A Canção da Terra é, talvez, o espetáculo da Companhia de Música Teatral que mais prazer me dá fazer em palco. Artisticamente, sinto-o como umrelógio bem oleado: cada gesto tem peso, nada sobra, tudo acontece numa sucessão de momentos complexos, divertidos e, mais do que uma vez, profundamente emotivos.

Neste espetáculo tenho o privilégio de aparecer semi‑nu enquanto DJ, toco flautas e flautinhas, bonecos chiadores para cães, um saxofone aumentado e amplificado, tubos de órgão, caixinhas de madeira e… e… É também, talvez, o espetáculo onde mais senti o meu corpo encontrar o seu lugar natural em palco, em harmonia com o dos meus colegas, cuja presença artística me inspira sempre que partilhamos o mesmo espaço.

É uma história da Terra que nunca se apresenta como tal. Um relato do planeta visto pelos olhos de seres que habitam o pós-antropoceno e tentam decifrar o que os trouxe até esse futuro. Uma sequência de quadros que atravessa o melhor e o pior da humanidade — do sublime ao obsceno. O Big Bang é uma discoteca; a evolução e a ganância humanas vestem casaco de serapilheira e cartola; o mundo moderno surge como um Bazar onde tudo está à venda. O fim da natureza é uma contagem decrescente com sirenes demoníacas. A Terra é, sucessivamente, um balão, uma mala, um terrário, e por fim… nada.

O espetáculo é uma viagem músico-poética que vive nas fronteiras entre teatro, slam poetry e Bach, uma elegia ao planeta que jánão existe mas que poderá vir a ressuscitar depois da Humanidade.