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Aguário

Aguário

Aguário é um espetáculo eminentemente musical e fluido, que mergulha na relação do ser humano com a água em todas as suas formas. Sobre um palco coberto de tinas de diferentes tamanhos, duas figuras (meio mágicas, meio reais) movem-se com uma elegância que só posso admirar à distância.

A minha presença, desta vez, acontece fora do palco, num território que me é familiar dos anos em que fui professor: a régie. É a partir daí que tenho o prazer de gerir as projeções que ganham vida num balão atmosférico com cerca de quatro metros de diâmetro, e de manipular (quase como um realizador) aquilo que as câmaras escondidas captam. Sinto este trabalho como um trio musical: um diálogo contínuo em que o meu “instrumento” não produz som, mas responde ritmicamente ao que as minhas colegas me oferecem em cena.

Entre todos os espetáculos que já fiz com a Companhia de Música Teatral, este é talvez o que menos narrativa apresenta. Ainda assim, carrega uma mensagem cristalina sobre a importância vital da água. De certa forma, integra aquilo que considero ser a “trilogia escondida” da CMT, iniciada com O Céu Por Cima de Cá e concluída com Canção da Terra.

Aguário oscila com inteligência entre o tolo e o transcendente, sem nunca se fixar demasiado num só extremo do espetro.