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Memória

Memória

Considerem o seguinte:

Foram convidadas a desenvolver um projeto para pais e bebés numa associação cultural, recreativa e desportiva local. A ideia será, através de sessões musicais semanais, potenciar o desenvolvimento feliz das crianças. Também vos foi pedido que estejam atentas à relação dos adultos com a música, para que, como efeito secundário, possam desmantelar algumas das suas ansiedades com o canto e a prática musical.

Rapidamente propõem, e é aceite, que no final do projeto haja um espetáculo para familiares e amigos. Para as sessões levam um grande conjunto de itens, instrumentos e ideias. Usam jogos e metodologias diversificadas, dialogando constantemente com os pais a fim de averiguarem a sua predisposição e inclinação para determinadas abordagens.

Em várias sessões, recolhem canções de embalar que os pais se lembrem de ouvir, que ponderam incluir de alguma forma no espetáculo final. O repertório que acabam por abordar é uma mescla das vossas sugestões, das memórias dos adultos e de algo que surgiu dessa intersecção heterogénea.

Nem todos os pais se demonstram abertos à participação, e vários revelam mesmo alguma rejeição das vossas abordagens, levando-vos a repensar o plano de algumas sessões para incluir apenas adultos. Nestas, conseguem ir desconstruindo alguns preconceitos até chegarem a espaços de partilha entre todos os participantes, que levam os pais mais reticentes a participarem ativamente nas sessões com bebés.

Em algumas das últimas sessões antes da apresentação final, uma das mães que é fotógrafa aparece para fazer um registo fotográfico e videográfico do trabalho. São capturadas imagens que vos suscitam uma melancolia cuja origem é difícil de apontar.

A antecipação da apresentação final começa a revelar-se mais presente com o avançar das sessões, ditando a organização das mesmas. Alguns momentos passam a ser reservados à preparação do alinhamento, e surgem conversas sobre os figurinos, inspirados em alguns espetáculos que já tinham dinamizado e cuja descrição foi do agrado dos pais.

Na apresentação final, o vosso papel é não só tocar e cantar, mas também estarem atentas a pequenos lapsos da parte dos participantes que prontamente ajudam ou a esconder, ou a resolver. Simultaneamente, vão mantendo-se atentas ao decorrer do alinhamento, da vossa própria performance e da interação com o público.

Tudo acaba num retumbante sucesso, uma partilha emocional, artística e humana muito forte. Desde então, mantêm contacto regular com os participantes, que vos relatam os impactos a longo prazo do projeto nas suas crianças. A instituição passa a convidar-vos anualmente a repetir o projeto, sempre diferente, sempre parecido.


Peço-vos que reflitam em conjunto sobre o que acabaram de ler. Durante os próximos 30 minutos, identifiquem todas as maneiras como a "memória" (nas suas diferentes manifestações) surge/é utilizada no projeto descrito acima. Registem-nas por escrito, para partilha com o restante da turma.